Blogue do Maia de Carvalho

POR TRÁS DE CADA GRANDE FORTUNA HÁ UM CRIME. Honoré de Balzac

segunda-feira, outubro 16, 2006

Isto não vos faz lembrar nada?

«Ouvi pois, Srs. professores, sem surpresa, que os vossos superiores, directores de escolas, todos aqueles a quem o governo traz confiada uma parcela de autoridade para vos esclarecer, para vos sugerir um melhor desempenho dos vossos deveres, são todos orgãos de um pensamento político, são todos instrumentos da política nacional. »

Prelecção do Directos Geral Do Ensino Primário (22 de Março de 1934). Citado por MÓNICA, M.F. (1978) Educação e Sociedade no Portugal de Salazar. Lisboa: Editorial Presença

Excerto de uma proposta de condecoração formulada em 1960:

«Nobilíssimo exemplo que esta senhora soube dar em todos os actos da sua vida! ... Foram 42 anos de devotado serviço, à espinhosa missão de educar e instruir e de amor às gerações que lhe foram confiadas.
(. . .) Aí se manteve durante toda a sua longa carreira profissional, com um aprumo de tal ordem que soube conquistar a estima e veneração não só dos habitantes da pequenina aldeia mas também a admiração da hierarquia, dos colegas e de todas as entidades concelhias. (...) As crianças eram, praticamente, seus filhos adoptivos. Socorria, alimentando e vestindo, os mais necessitados. Feliz aldeia que teve a ventura de receber no seu seio tão esclarecido espírito de compreensão e dedicação, qualidades indispensáveis para um cabal desempenho da espinhosa função de modelar os pequeninos cérebros que brotam para a vida. A sua acção não se limitou apenas às crianças. (.. .) Numa luta de verdadeiro sacerdócio, ali deixou no coração de todos a sua mocidade, as suas economias, a sua própria existência."

In NÓVOA,A. (1992) A "Educação Nacional" in AA VV (1992) Nova História de Portugal. Portugal e o Estado Novo 0930-1960), Lisboa: Presença

Exames de Estado
A partir de 1930 todos tinham que se submeter a Exames de Estado. Estes correspondiam a uma «necessidade imperiosa de standartizar os critérios de avaliação da competência do docente, constituindo uma arma poderosa nas mãos da burocracia ministerial. O Ministro escolhia directamente os membros dos júris e recebia igualmente um relatório pormenorizado sobre quaisquer «ocorrências estranhas» que por ventura se registassem durante as provas"

MÓNICA, M.F. (1978) Educação e Sociedade no Portugal de Salazar. Lisboa: Editorial Presença

http://web.educom.pt/margaridabelchior/Ed_Est_Novo/profs.htm

Se neste tempo pudessem fazer greve...

2 Comments:

At 8:39 da manhã, Blogger Minerva McGonagall said...

Não gosto nada da Maria Filomena Mónica... é prepotente demais!

 
At 9:54 da manhã, Anonymous Patricia said...

Bom Dia Professor Maia!
Fiquei a pensar no seu coment no meu Blog e tenho que confessar que tem toda a razão!
Embora a situação dela, fosse só um dos motivos que influenciam o meu estado de espirito...
Mudando de assunto, sabe quem é o "Salazar"(Ditador) do nosso tempo?
(Isto, claro, na minha humilde opinião)
George W. Bush

 

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