Blogue do Maia de Carvalho

POR TRÁS DE CADA GRANDE FORTUNA HÁ UM CRIME. Honoré de Balzac

domingo, outubro 22, 2006

Nasci no termo de Pombal





«Chamo-me Joaquim da Rocha, nasci no termo de Pombal, lá tenho a família, só a mulher, filhos tive quatro, mas todos morreram antes de fazerem dez anos, dois de bexigas negras, os outros de espinhela caída e sangue chupado, tinha lá um cerrado de renda, mas o ganho não dava para comer, então disse à. mulher, vou para Mafra, é trabalho garantido e por muitos anos, enquanto durar durou, agora há seis meses que não vou a casa, se calhar nem volto lá mais, mulheres não faltam, e a minha devia ser de má casta para assim ter parido quatro filhos e deixado morrer todos, »

José Saramago
«Memorial do Convento»

Continuo com a minha leitura e, surpreso, a páginas tantas que encontro eu?

Uma conversa de trabalhadores do Convento, certamente numa tasca, em que conversam e se apresentam, declarando a sua terra de origem.

O primeiro a falar é de Cheleiros, perto de Mafra, e logo me lembro que na minha juventude me quiseram casar em Cheleiros, com a sobrinha do marido da minha madrinha, a filha de um rico comerciante, dono de fazendas e da mercearia e da tasca e da casa de pasto mais afamada lá da terra. Além de Regedor ou Presidente da Junta, já não me lembro. [Cheguei a ir lá a um baile dominical.] A seguir fala o de Torres Vedras, depois o de Pombal. A seguir vem um de Santarém, o do Porto, o Alentejano e finalmente o da terra, Mafra, o nosso amigo Baltasar Sete Sóis. Todos falam das suas terras madrastas que os forçaram a migrar para a “Grande Obra do Reino…”

3 Comments:

At 2:59 da tarde, Blogger Fanette said...

Boa tarde. Pelo que escreve continua em boa companhia. Do mesmo autor tem também "Levantado do chão" (... como Camilo e Aquilino, esses dois mestres do nosso realismo rural, Saramago desenha a traço enxuto as mil e uma maneiras de capear, intrujar, espremer e sangrar os pequenos, a arraia-miúda, que aí no Alentejo, já em 1385 e 1636 se ergueu em jaqueries e motins contra o Estado dos grandes senhores [...]. Óscar LOpes) e "História do cerco de Lisboa" (Raimundo Silva, revisor de profissão e de longa data, personagem central do livro sabia a diferença, mas num ímpeto irreprimível de criação, interdito ao seu labor de perseguição da verdade da escrita, troca um sim por um não, alterando definitivamente a história que reza terem os cruzados ajudado os Portugueses a tomar Lisboa, e com ela a sua vida.) que também gostei de ler.

 
At 8:26 da tarde, Blogger Minerva McGonagall said...

Também ando a ler esse livro, mas está demorado porque é preciso ter muita atenção. Não sou fã da pontuação que o Saramago usa...

 
At 10:36 da manhã, Blogger totoia said...

Só quando li a preparação da viagem até Cheleiros é que me apercebi da grandeza daquele monumento e como terá sido dificil a sua execução.

 

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