Blogue do Maia de Carvalho

POR TRÁS DE CADA GRANDE FORTUNA HÁ UM CRIME. Honoré de Balzac

segunda-feira, novembro 27, 2006

Noite Bengali




Acabei, no Sábado, o livro que andava a ler – A Noite Bengali de Mircea Eliade. (Edição de 1961)

É uma história de amor, de um amor; exótica, porque entre um europeu e uma indiana, narrada como uma peça musical em crescendo até ao clímax da entrega, desvendando ao leitor um bocadinho de cada vez do emaranhado das ideias, do conflito ideológico inter-cultural, da orgia das sensações até ao pico da resolução e a queda brusca para o desenlace final, ia a dizer trágico, mas é apenas triste.

Para dar um gostinho, aí vão os últimos parágrafos.

«Estou a reflectir há horas e horas. Nada consigo decidir. Telegrafar a Narendra Sen? Escrever a Maitreyi?

Sinto que cometeu essa loucura por mim. Se eu tivesse lido as cartas que me trazia Khokha! Talvez ela tivesse um plano?.. A minha alma está perturbada, perturbada... E no entanto quero escrever tudo, tudo.

...E se por acaso não houvesse nisso senão uma enorme farsa? Uma boa partida que a minha paixão me pregou? Porque hei-de acreditar sem reservas? Que sei eu?

Quereria fitar Maitreyi no fundo dos olhos...

Janeiro - Fevereiro de 1933. »

Apontamento sobre Mircea Eliade – «Romancista e pensador romeno, especialista da filosofia hindu e da história das religiões (n. Bucareste, 9.3.1907; m. 22.4.1986). Durante os seus estudos na Índia (1929-1931), permaneceu meio ano num mosteiro dos Himalaias, Rishikesh, onde se familiarizou com as práticas do ioga, assunto da sua tese de doutoramento. Professor – Assistente da Universidade de Bucareste, em 1937, iniciou no ano seguinte a publicação Zalmoxis, Revue des Études Religieuses (Pa., 1938), interrompida pela guerra. Autor de mais de vinte vols. de lit. romena, Mircea Eliade continuou a sua obra em Londres (1940-1941) e Lisboa (1942-1944), como conselheiro cultural, fixando-se depois em Paris (1945), como prof. agregado na Escola dos Altos Estudos da Sorbona (1946-1948). Em 1957, foi-lhe oferecida a cadeira de História das Religiões pela Universidade de Chicago, onde ensinou. Escritor de renome, ensaísta erudito e polivalente, é um mestre das religiões orientais e um humanista completo.»

ELBC, Verbo

8 Comments:

At 12:58 da manhã, Blogger martim said...

mircea eliade é um clássico que também visito. abraço.

 
At 11:04 da manhã, Blogger Maria Ostra said...

A minha mãe adora. Eu confesso que nunca li... :/

 
At 11:35 da manhã, Blogger totoia said...

Não li, nem conheço mas estou muito curiosa, hoje vou ver se encontro alguma coisa na biblioteca.

 
At 5:48 da manhã, Blogger Klatuu o embuçado said...

Li uma novela dele há muito tempo passada em Lisboa, não me lembro o título.

Abraço.

 
At 8:21 da manhã, Blogger missixty2000 said...

"....como uma peça musical em crescendo até ao clímax da entrega, desvendando ao leitor um bocadinho de cada vez....".É exactamente assim que gosto dos livros e dos filmes. Devagar se vai ao longe.Tudo o que é fácil adquirir, não tem o mesmo impacto, nem o efeito duradouro de algo que seja mais difícil!
Também queres que te trate da sáude???ehehe (vai ao meu blog)

 
At 10:05 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Li "Noite Bengali" na minha adolescência e jamais consegui esquecer este livro. Mircea Eliade tornou-se emportante e decisivo na minha formação cultural e humana

 
At 10:06 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Li "Noite Bengali" na minha adolescência e jamais consegui esquecer este livro. Mircea Eliade tornou-se importante e decisivo na minha formação cultural e humana

 
At 4:32 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Obrigado por Blog intiresny

 

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