Blogue do Maia de Carvalho

POR TRÁS DE CADA GRANDE FORTUNA HÁ UM CRIME. Honoré de Balzac

sexta-feira, julho 23, 2010

VAI DEMORAR A HABITUARMO-NOS...


Antes das obras o altar-mor era assim



A Igreja do Convento de Santo António do Cardal, em Pombal, reabriu ao culto. Está bonita, muito bonita mesmo, mas diferente. Muito acolhedora, parece mais pequena... Soalho reluzente e cara lavada, novas imagens expostas (de onde é que elas vieram?), mais luz e mais cor, novas estações da Via Sacra (para onde foram as antigas?), mais cómodos os bancos, novidades vídeo-electrónicas.

O Cristo morto à entrada do lado esquerdo continua lá e morto mas agora está na cruz; o caixão com o Corpo do Senhor, que ali estava, foi levado para o Altar-mor, fazem-lhe Guarda de Honra as mesmas figuras que o velavam à entrada... O Santo António deixou o trono e está agora numa espécie de capela do lado esquerdo, reduzido à sua condição de santo franciscano. A pequenina Nossa Senhora de Fátima, ainda lá está, minúscula numa cúpula enorme... A capela da Senhora do Cardal está praticamente na mesma, melhorados os bancos e neles podemos seguir as cerimónias religiosas que se passem no Altar-mor, mesmo sem o vermos fisicamente.

O São Boaventura e o São Jerónimo continuam no mesmo sítio. Gostei de encontrar-me com a Santa Luzia.

Ainda falaremos das outras imagens mas noutro dia. Lá na sua tumba, como aceitará estas mudanças o Conde de Castelo Melhor, ele coitado que, mesmo em vida, só teve desgostos com este convento e nem conseguiu que a Igreja ficasse como ele a idealizou. O próprio papa esteve contra ele: não canonizou o santo da sua devoção – o Beato António da Conceição! E esperava-se em Pombal, nos fins do Séc. XVII, que ele fosse canonizado e rápido....

Está bonita, realmente, mas ainda vou demorar a habituar-me à nova cara desta igreja linda!


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quinta-feira, março 11, 2010

Um pombalense [quase santo], ignorado


Em Pombal, corria o ano de 1522, nascia na rua das Cannas, o menino António Borges Leitão, que seria cónego de frades lóios em Évora, pelo ano de 1550.
Foi "construtor" de pelo menos dois conventos, um em Coimbra outro em Lisboa, onde em 1602 morreu, com fama de santidade. Por lá ficou conhecido como o Beato António da Conceição.
Foi gerado em Lucrécia Leitão por seu marido João Borges, «ambos ilustres e aparentados com as casas titulares deste reino», como refere o "Progresso Pombalense", de 15 de Setembro de 1877.
Estudou em Coimbra e entrou em religião como cónego da Congregação de São João Evangelista, ou lóios, ou frades azuis, pela cor do seu hábito.
Tinha, segundo é voz do povo, dotes de pregador, profeta e milagreiro.
Conta-se que, quando da grave enfermidade que atingiu o nosso Rei D. Afonso VI, ainda menino, com cerca de três para quatro anos, a grave paralisia que o deixou quase moribundo, foi curada por intercessão do Beato António, de cujo túmulo, D. Luísa de Gusmão mandou vir um osso para que o menino lhe tocasse. Diz-se que só depois disso o Infante D. Afonso começou a demonstrar melhoras.
Como nós adoramos estórias de mistério e imaginação.
Sobre este assunto pode ser consultada uma tese em http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/3524.pdf , intitulada «Um «beato vivo»: o P. António da Conceição, CSJE, conselheiro e profeta no tempo de Filipe II», de José Adriano de Freitas Carvalho.

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