Blogue do Maia de Carvalho

POR TRÁS DE CADA GRANDE FORTUNA HÁ UM CRIME. Honoré de Balzac

segunda-feira, março 29, 2010

Novo cidadão pombalense

Desde ontem, às 20H00, Pombal conta com mais um cidadão. Chama-se Martim Filipe. Os Maia de Carvalho vieram para ficar.

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sexta-feira, março 26, 2010

Pai, diga-me lá para que serve a História.

Jogo - Tente descobrir a quantidade de elementos,
deste espaço urbano único, que já foram destruídos.


Quem lê a edição de ontem de “O Correio de Pombal”, logo na Primeira Página encontra um título fabuloso: «Achados atrasam obras. Requalificação (que palavrão!) do Castelo avança a conta gotas. Descobertas arqueológicas podem comprometer prazo previsto para a conclusão.»

Tal título permite supor, lógica e imediatamente, que o jornalista ou a empresa proprietária do jornal deverão ter interesses na construção civil e empreitadas. São estas pessoas, geralmente, as menos interessadas em que se encontrem vestígios do passado nas obras e muitos, ao longo do tempo, os tem ocultado ou destruído. Mas nunca nada se tem conseguido provar.

Julgo que se houvesse alguém medianamente culto na Câmara Municipal de Pombal seria suposto prever a existência de vestígios do passado em qualquer movimentação de terras na encosta do Castelo. Claro que ainda há gente que pensa que arqueologia é só pré-história, não se apercebe que o estudo do passado foi há muito alargado e hoje hoje já se investigam e escrevem estudos de Arqueologia Industrial que revelam vestígios, alguns com menos de cinquenta anos.

No solo da Zona Histórica de Pombal e envolvente do Castelo, incluindo o espaço do cemitério e a baixa dos Chãos e do Casarelo, é expectável a existência de vestígios de civilizações e culturas pretéritas, tais como: castreja pré-romana, romana, bárbara – suevos, alanos, vândalos, visigodos, - vestígios da grande cultura mourisca, seguindo-se os da reconquista cristã e todas as formas de vida da sociedade portuguesa nos vários séculos – XII, XIII, XIV, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX e XX.

Do século XXI também nós deixaremos vestígios e espero ardentemente que não sejam os das destruições que temos vindo, quase sistematicamente, a provocar.

Não há uma Carta Arqueológica do Concelho de Pombal e não pode ser feita por um único arqueólogo ou historiador. Necessita, a sua execução, uma verdadeira equipa multidisciplinar em trabalho de campanha profícuo e continuado.

De todo o período histórico de Pombal é mais o que não sabemos do que aquilo que conhecemos.

Queremos continuar à deriva, sem sabermos que futuro gerar com o nosso presente por desconhecimento do que fomos no passado?

Será que queremos um Pombal filho de pais e mães incógnitos?



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sexta-feira, março 19, 2010

Pombal - Exposição no Arquivo Municipal.

Uma pequena amostra de uma exposição que recomendamos...




«O Cão de Fila» primeira folha periódica do concelho de Pombal e a única até hoje de "verdadeiro escárnio e mal-dizer". Ao pé disto "As Farpas" do Blogspot são seráficas!

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terça-feira, março 16, 2010

Nem tudo está podre, ou é barulhento, no reino de Pombal


No Arquivo Municipal de Pombal, sito na Praça Marquês de Pombal, nesta cidade, está patente uma exposição muito agradável: - vê-se e aprende-se!
Pena é que o contributo da imprensa pombalense seja tão fraco comparado com a representação de Figueiró, Pedrógão, Alvaiázere ou mesmo Ansião. E Pombal, que hoje apenas detém um apagado jornalzinho provinciano o «Correio de Pombal», teve nos fins do Séc. XIX, início do Séc. XX, vários órgãos de imprensa local de conteúdo ideológico bem definido, de escorreita redacção, de publicação de ideias e cultura.
Pasme-se, com menos gente e mais analfabetos, lá iam apresentando as suas páginas tipograficamente bem alinhadas, com uma paginação que, embora sóbria, trazia implícita uma clara intenção estética e de facilidade de consulta. Poderão os jornais de hoje gabar-se disso? Alguns sim outros não, mesmo a nível nacional.
E houve em Pombal um “O Cão de Fila”, em 1865 e 1866; um "O Progresso Pombalense", em 1877, que, a partir de 1881, passou a ser simplesmente "O Pombalense"; um "O Correio de Pombal", em 1866; um "A Defesa", em 1892, para contrapor ideologicamente o Correio; um "O Cardal, echo da aldeia", em 1895; um "O Imparcial", em 1909; um "O Tribunal", em 1910. De vida muito efémera apareceram ainda no inicio da república, "O Operário", um único número em 1914, "A União", em 1918, "A Acção Desportiva", em 1924, "O Desporto", na mesma data, um novo "O Pombalense", em 1925 e que desapareceu logo no ano seguinte, na voragem do 28 de Maio de 1926. O Estado Novo estabeleceu, em Pombal, a sua própria produção ideológica, com "O Desporto" e "A Voz de Pombal", em 1929, "O Eco de Pombal", em 1932 que ainda se vai publicando, nos nossos dias, gratuitamente e uma vez por mês para não perderem o direito ao título, o "Terra Mãe", em 1934, "O Notícias de Pombal", em 1954.
Modernamente apareceram "O Voz do Arunca", "O Notícias do Centro" e mais uns quantos que não recordo, tão rápida foi a sua passagem pela sociedade pombalense, e foi ressuscitado "O Correio de Pombal", o único que ainda dura.
Só queria deixar uma pergunta:
Em 1994/1997 havia (eu vi) atados de jornais no forro do telhado da igreja e outras dependências do Convento do Cardal. Quem autorizou que esses exemplares fossem para a lixeira? Porque é que os jornais (nacionais e locais) que começaram a estar disponíveis logo nas instalações da Biblioteca Gulbenkian , no Cardal, diariamente para leitura pública, nunca foram catalogados nem arquivados, de modo a serem facultados a qualquer interessado que os requisitasse? Porque foram, também, na voragem das obras que se fizeram nos telhados dos Paços do Concelho?
Será o advento de uma nova era cultural e documental sem Papéis?

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sábado, março 13, 2010

Giga-watts de Cultura; Tera-decibéis de Desassossego


As grandes aparelhagens sonoras estão a ser montadas eficazmente e o povo anónimo que aqui mora que se lixe!

Outra vez o sossego dos moradores do Bairro Agorreta, em Pombal, (para não falar dos da Rua de Albergaria dos Doze que vivem nos prédios cujas traseiras dão para o Arunca) posto em causa pela Ditadura da Maioria.

As finanças, quando avaliam prédios, consideram esta zona como de primeira classe na avaliação de imóveis para efeitos de I.M.I., mas não esclarecem os futuros proprietários e arrendatários, do ruído e desassossego que, ciclicamente, as suas noites vão ter.

Quando é que se pensa, a sério, reduzir os impostos destes cidadãos que vêem várias vezes, durante o ano, este sagrado direito do sossego, ser-lhes negado?

Quando, neste Concelho de Pombal, se negarão direitos à Contra-Cultura e se estimará a Cultura, pura e dura, do Bom-gosto?

Quem tem “papás” que pagam as contas, pode muito bem não fazer nada de dia e divertir-se à noite, ruidosamente!


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sexta-feira, março 12, 2010

A verdadeira razão da falta de sucesso no nosso Sistema de Ensino

Esta devia ir para o blogue das Anedotas: "O Doce Veneno" mas mesmo correndo o risco de só os professores a entenderem, ela aqui vai, neste blogue que se supõe de coisas sérias.


Naquele tempo, Jesus subiu ao monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem. Depois, tomando a palavra, ensinou-os, dizendo:

Em verdade vos digo,


-Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.

-Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.


-Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles...


Pedro interrompeu:

- Temos que aprender isso de cor?


André disse:

- Temos que copiá-lo para o papiro?


Simão perguntou:

- Vamos ter teste sobre isso?


Tiago, o Menor queixou-se:

- O Tiago, o Maior está sentado à minha frente, não vejo nada!


Tiago, o Maior gritou:

- Cala-te queixinhas!


Filipe lamentou-se:

- Esqueci-me do papiro-diário.


Bartolomeu quis saber:

- Temos de tirar apontamentos?


João levantou a mão:

- Posso ir à casa de banho?


Judas Iscariotes exclamou:

(Judas Iscariotes era mesmo malvado, com retenção repetida e vindo de outro Mestre)

- Para que é que serve isto tudo?


Tomé inquietou-se:

- Há fórmulas? Vamos resolver problemas?

Judas Tadeu reclamou:

- Podemos ao menos usar o ábaco ?


Mateus queixou-se:

- Eu não entendi nada... ninguém entendeu nada!

Um dos fariseus presentes, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada, tomou a palavra e dirigiu-se a Ele, dizendo:

Onde está a tua planificação?

Qual é a nomenclatura do teu plano de aula nesta intervenção didáctica mediatizada?

E a avaliação diagnóstica?

E a avaliação institucional?

Quais são as tuas expectativas de sucesso?

Tens a abordagem da área em forma globalizada, de modo a permitir o acesso à significação dos contextos, tendo em conta a bipolaridade da transmissão?

Quais são as tuas estratégias conducentes à recuperação dos conhecimentos prévios?

Respondem estes aos interesses e necessidades do grupo de modo a assegurar a significatividade do processo de ensino-aprendizagem?

Incluíste actividades integradoras com fundamento epistemológico produtivo?

E os espaços alternativos das problemáticas curriculares gerais?

Propiciaste espaços de encontro para a coordenação de acções transversais e longitudinais que fomentem os vínculos operativos e cooperativos das áreas concomitantes?

Quais são os conteúdos conceptuais, processuais e atitudinais que respondem aos fundamentos lógico, praxeológico e metodológico constituídos pelos núcleos generativos disciplinares, transdisciplinares, interdisciplinares e metadisciplinares?

Caifás, o pior de todos os fariseus, disse a Jesus:

- Quero ver as avaliações do primeiro, segundo e terceiro períodos e reservo-me o direito de, no final, aumentar as notas dos teus discípulos, para que ao Rei não lhe falhem as previsões de um ensino de qualidade e não se lhe estraguem as estatísticas do sucesso. Serás notificado em devido tempo pela via mais adequada. E vê lá se reprovas alguém! Lembra-te que ainda não és titular e não há quadros de nomeação definitiva!

... E Jesus pediu a reforma antecipada aos trinta e três anos...


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quinta-feira, março 11, 2010

Um pombalense [quase santo], ignorado


Em Pombal, corria o ano de 1522, nascia na rua das Cannas, o menino António Borges Leitão, que seria cónego de frades lóios em Évora, pelo ano de 1550.
Foi "construtor" de pelo menos dois conventos, um em Coimbra outro em Lisboa, onde em 1602 morreu, com fama de santidade. Por lá ficou conhecido como o Beato António da Conceição.
Foi gerado em Lucrécia Leitão por seu marido João Borges, «ambos ilustres e aparentados com as casas titulares deste reino», como refere o "Progresso Pombalense", de 15 de Setembro de 1877.
Estudou em Coimbra e entrou em religião como cónego da Congregação de São João Evangelista, ou lóios, ou frades azuis, pela cor do seu hábito.
Tinha, segundo é voz do povo, dotes de pregador, profeta e milagreiro.
Conta-se que, quando da grave enfermidade que atingiu o nosso Rei D. Afonso VI, ainda menino, com cerca de três para quatro anos, a grave paralisia que o deixou quase moribundo, foi curada por intercessão do Beato António, de cujo túmulo, D. Luísa de Gusmão mandou vir um osso para que o menino lhe tocasse. Diz-se que só depois disso o Infante D. Afonso começou a demonstrar melhoras.
Como nós adoramos estórias de mistério e imaginação.
Sobre este assunto pode ser consultada uma tese em http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/3524.pdf , intitulada «Um «beato vivo»: o P. António da Conceição, CSJE, conselheiro e profeta no tempo de Filipe II», de José Adriano de Freitas Carvalho.

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segunda-feira, março 08, 2010

Será a "ditadura da maioria" mais suave?




«Deixem-nos governar a Câmara, quando alguém do PS estiver à frente dela, fazem como bem entenderem

Narciso Mota
O Correio de Pombal de 4 de Março de 2010

É isto que é detestável nas ditaduras das maiorias que teimam em fazer-nos acreditar que são democracias: - fazerem como bem entendem, sem dar explicações a ninguém.

Nota: Não estranhem a sintaxe da frase do Sr. Presidente da Câmara de Pombal. É mesmo assim que o senhor fale e escreve.

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segunda-feira, março 01, 2010

A saída da feira do Arnado prejudicou o comércio no Bairro Agorreta.

«A feira causava insegurança no bairro»
Afirmou Narciso Mota ao Correio de Pombal da semana passada.


Francamente, Sr. Presidente da Câmara Municipal de Pombal, o senhor tem cada ideia. Então, seria por causa dos feirantes ou dos ciganos? Como está enganado! Os ciganos são pessoas e os restantes feirantes também, basta ouvi-los, para que eles nos oiçam também a nós.
Eu vi, quando de férias em Vila Nova de Cerveira, no fim da feira, os meninos, as mulheres e os homens ciganos, tal como os outros feirantes, a apanharem as embalagens usadas e o lixo do chão, a separá-lo por plástico, papel e cartão, garrafas de vidro e indiferenciados, em sacos pretos fornecidos pela câmara que depois colocavam nos contentores que logo a seguir eram despejados pelos funcionários da autarquia. E o grande largo da feira voltava rapidamente a ser um enorme e bem arrumado parque de estacionamento gratuito.
Quanto gastou Pombal no recinto onde, agora, pratica a feira? Fora dos dias de feira para que serve aquele espaço na Zona da Formiga?
Reponha a feira no Arnado. Todos os agorretenses lhe agradeceriam. As feiras nunca nos deram noites tão ruidosas e desassossegadas (com bebedeiras, gritos, desacatos e polícia) como os seus eventos pseudo culturais e desportivos.

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