POMBAL MODERNO E PROGRESSISTA
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POR TRÁS DE CADA GRANDE FORTUNA HÁ UM CRIME. Honoré de Balzac
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Este artefacto bizarro, ainda em construção, numa zona onde seria legítimo não construir, vai certamente chamar-se "A GAIOLA DAS LOUCAS".
Lá para o ano 2511, ou seguintes, futuros arqueólogos de Pombal, (alguma vez os haverá) divertir-se-hão imenso, imaginando para que serviria este anexo ao castelo medieval, nos trabalhos da escavação da campanha em curso.
Nesses anos já ninguém imaginaria que tivesse existido um castelo medieval da Ordem Templária, naquela colina, no subsolo de um monumental Condomínio Fechado, onde residem os mais modernos substitutos ricos e muito ricos que ocupam os lugares do Poder, antigamente desempenhados por modestos burocratas, mas já em vias de enriquecimento rápido, assim como novos órgãos de sujeição das classes mais modestas.
Os antigos detentores do Poder Soberano, tanto central como local, tendo sabido sobreviver a todas as confrontações socais a que têm dado origem, no limiar do Século XXVI, estão mais soberbos do que nunca.
A Sociedade Moderna está espacialmente organizada por guetos de onde as pessoas raramente saem.
Os da Classe Dominante, os plutocratas, só abandonam os seus coios em vistosos cortejos automóveis ou aeronáuticos, precedidos de muitos batedores e guardados por numerosos batalhões de forças especiais de segurança, em viaturas blindadas ou esquadrilhas de helicópteros de ataque, armados com mísseis ar/terra.
Os da Classe Mais Baixa, só saem dos seus pardieiros em grupos multitudinários, armados de rudimentares mas muito eficazes meios de ataque e defesa, para saquearem e pilharem os mais importantes e movimentados locais de abastecimento de alimentação, vestuário e utilidades para quem pode frequentá-los.
Só a enorme plêiade de membros da antigamente denominada Classe Média continuam a produzir, trabalhando de sol a sol e pagando coercivamente tanto o sustento da Classe dos Poderosos como o da Classe Baixa dos energúmenos saqueadores. (Diferentes na metodologia mas iguais nos resultados!) Nunca saem dos seus lugares de residência e trabalho.
Palavras como «indivíduo», «liberdade», «honestidade», «valor», «ética», terão sido esquecidas e só meia dúzia de estudiosos, que teimam em existir, saberão o seu antigo significado.
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Andam lá por cima, no Castelo de Pombal, a fazer obras que, levianamente, o IGESPAR autorizou, sem ordenar que se fizesse, junto às muralhas e nas ruínas da Igreja de Santa Maria, a prévia exploração arqueológica.
Dizem-nos que a empresa adjudicatária tem arqueólogos atentos a possíveis achados e eu acho muita graça... A empresa que construiu o parque subterrâneo na Praça Velha também tinha, acharam alguma coisa?
Quem pode ser tão néscio que acredite que uma empresa cujo objectivo é o lucro e despachar a empreitada o mais depressa possível, vai atrasar uma obra, voluntariamente, para fazer prospecção arqueológica? Supomos que sendo os arqueólogos, sócios ou colaboradores de uma empresa paga pelo empreiteiro, só farão descobertas arqueológicas se ele consentir ou estas lhes puderem proporcionar lucros superiores aos réditos que a Empresa Construtora lhes paga. Será possível passarem-se quase mil anos sobre um local permanentemente habitado e não se encontrar nada? Nem um miserável artefacto sem valor?
Só não percebo é porque o mesmo IGESPAR manda parar as obras da Igreja do Cardal e deixa mexer no que resta da Igreja de Santa Maria do Castelo.
Devíamos ainda considerar os aterros e desaterros que se estão a fazer no Casarelo. As cartas topográficas apontam para locais de ruínas a sueste do castelo e um deles está assinalado com uma cruz que pode indicar restos de cruzeiro ou capela. E se estivessem por ali as ruínas da Igreja de S. Pedro que se sumiu sem deixar rasto?
Que povo despreza assim as suas raízes?
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