Blogue do Maia de Carvalho

POR TRÁS DE CADA GRANDE FORTUNA HÁ UM CRIME. Honoré de Balzac

sexta-feira, maio 14, 2010

Quinta de SantAna, Redinha, Pombal


Já neste blogue demos notícia dos estragos causados numa peça raríssima do Séc. XV (aferidor de medidas manuelino de 1499.), quando, sem supervisão eficaz, foi transferido dos Paços do Concelho para a arrecadação do actual Museu Marquês de Pombal onde, julgo eu, tem continuado a deteriorar-se. Hoje venho perguntar por outra peça que reputo de algum valor. Para onde foi a pquena estátua que a foto ilustra e que se encontrava, ainda em 1997, num dos pátios da Quinta de Sant'Ana? A Câmara Municipal de Pombal não é responsável, pelo património histórico e público, que de geração em geração tem sobrevivido neste Concelho e por todos os pombalenses colocado à sua guarda?

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sexta-feira, março 26, 2010

Pai, diga-me lá para que serve a História.

Jogo - Tente descobrir a quantidade de elementos,
deste espaço urbano único, que já foram destruídos.


Quem lê a edição de ontem de “O Correio de Pombal”, logo na Primeira Página encontra um título fabuloso: «Achados atrasam obras. Requalificação (que palavrão!) do Castelo avança a conta gotas. Descobertas arqueológicas podem comprometer prazo previsto para a conclusão.»

Tal título permite supor, lógica e imediatamente, que o jornalista ou a empresa proprietária do jornal deverão ter interesses na construção civil e empreitadas. São estas pessoas, geralmente, as menos interessadas em que se encontrem vestígios do passado nas obras e muitos, ao longo do tempo, os tem ocultado ou destruído. Mas nunca nada se tem conseguido provar.

Julgo que se houvesse alguém medianamente culto na Câmara Municipal de Pombal seria suposto prever a existência de vestígios do passado em qualquer movimentação de terras na encosta do Castelo. Claro que ainda há gente que pensa que arqueologia é só pré-história, não se apercebe que o estudo do passado foi há muito alargado e hoje hoje já se investigam e escrevem estudos de Arqueologia Industrial que revelam vestígios, alguns com menos de cinquenta anos.

No solo da Zona Histórica de Pombal e envolvente do Castelo, incluindo o espaço do cemitério e a baixa dos Chãos e do Casarelo, é expectável a existência de vestígios de civilizações e culturas pretéritas, tais como: castreja pré-romana, romana, bárbara – suevos, alanos, vândalos, visigodos, - vestígios da grande cultura mourisca, seguindo-se os da reconquista cristã e todas as formas de vida da sociedade portuguesa nos vários séculos – XII, XIII, XIV, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX e XX.

Do século XXI também nós deixaremos vestígios e espero ardentemente que não sejam os das destruições que temos vindo, quase sistematicamente, a provocar.

Não há uma Carta Arqueológica do Concelho de Pombal e não pode ser feita por um único arqueólogo ou historiador. Necessita, a sua execução, uma verdadeira equipa multidisciplinar em trabalho de campanha profícuo e continuado.

De todo o período histórico de Pombal é mais o que não sabemos do que aquilo que conhecemos.

Queremos continuar à deriva, sem sabermos que futuro gerar com o nosso presente por desconhecimento do que fomos no passado?

Será que queremos um Pombal filho de pais e mães incógnitos?



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quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Sem Rei nem Roque.


Andam lá por cima, no Castelo de Pombal, a fazer obras que, levianamente, o IGESPAR autorizou, sem ordenar que se fizesse, junto às muralhas e nas ruínas da Igreja de Santa Maria, a prévia exploração arqueológica.

Dizem-nos que a empresa adjudicatária tem arqueólogos atentos a possíveis achados e eu acho muita graça... A empresa que construiu o parque subterrâneo na Praça Velha também tinha, acharam alguma coisa?

Quem pode ser tão néscio que acredite que uma empresa cujo objectivo é o lucro e despachar a empreitada o mais depressa possível, vai atrasar uma obra, voluntariamente, para fazer prospecção arqueológica? Supomos que sendo os arqueólogos, sócios ou colaboradores de uma empresa paga pelo empreiteiro, só farão descobertas arqueológicas se ele consentir ou estas lhes puderem proporcionar lucros superiores aos réditos que a Empresa Construtora lhes paga. Será possível passarem-se quase mil anos sobre um local permanentemente habitado e não se encontrar nada? Nem um miserável artefacto sem valor?

Só não percebo é porque o mesmo IGESPAR manda parar as obras da Igreja do Cardal e deixa mexer no que resta da Igreja de Santa Maria do Castelo.

Devíamos ainda considerar os aterros e desaterros que se estão a fazer no Casarelo. As cartas topográficas apontam para locais de ruínas a sueste do castelo e um deles está assinalado com uma cruz que pode indicar restos de cruzeiro ou capela. E se estivessem por ali as ruínas da Igreja de S. Pedro que se sumiu sem deixar rasto?

Que povo despreza assim as suas raízes?


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quinta-feira, dezembro 17, 2009

Novo Blogue sobre Pombal


Comecei, um dia destes, um novo blogue a que chamei “Nesta Igreja está a Milagrosa Imagem”. Refiro-me, é claro ao Convento de Santo António e Igreja de Nossa Senhora do Cardal.

O novo endereço é : http://cardal.blogs.sapo.pt

Meditando e escrevendo sobre este monumento (um dos poucos que vem escapando às investidas do tempo, do clima, das guerras e dos pouco esclarecidos transformadores, modernizadores e requalificadores cá da terra) pretendemos na linha de outros “amantes” de Pombal que nos precederam, como Dr. Mora, Dr. Pombo, Dr. Eusébio e outros de que falaremos a seu tempo, contribuir para um melhor conhecimento da História de Pombal.

Desde os mais recuados tempos da existência do Homo sapiens, os mais variados lugares do território concelhio, têm sido povoados ou, pelo menos, ocupados temporariamente.

Se nos limitarmos ao espaço da freguesia de Pombal há certamente vestígios da ocupação romana, goda, mourisca e cristã medieval da Reconquista. Cada século, já são tantos na vida de Pombal, deve ter deixado as suas marcas, que catástrofes naturais, guerras, batalhas senhoriais, raiva republicana e ganância contemporânea têm tentado apagar.

A incúria do poder local e o interesse do comum dos pombalenses também têm sido favoráveis ao descuido e ao esquecimento. Certamente não sabem que quem renuncia a sua História renuncia à sua Identidade.

Estarão os pombalenses interessados em terem uma?


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