Blogue do Maia de Carvalho

POR TRÁS DE CADA GRANDE FORTUNA HÁ UM CRIME. Honoré de Balzac

sexta-feira, março 26, 2010

Pai, diga-me lá para que serve a História.

Jogo - Tente descobrir a quantidade de elementos,
deste espaço urbano único, que já foram destruídos.


Quem lê a edição de ontem de “O Correio de Pombal”, logo na Primeira Página encontra um título fabuloso: «Achados atrasam obras. Requalificação (que palavrão!) do Castelo avança a conta gotas. Descobertas arqueológicas podem comprometer prazo previsto para a conclusão.»

Tal título permite supor, lógica e imediatamente, que o jornalista ou a empresa proprietária do jornal deverão ter interesses na construção civil e empreitadas. São estas pessoas, geralmente, as menos interessadas em que se encontrem vestígios do passado nas obras e muitos, ao longo do tempo, os tem ocultado ou destruído. Mas nunca nada se tem conseguido provar.

Julgo que se houvesse alguém medianamente culto na Câmara Municipal de Pombal seria suposto prever a existência de vestígios do passado em qualquer movimentação de terras na encosta do Castelo. Claro que ainda há gente que pensa que arqueologia é só pré-história, não se apercebe que o estudo do passado foi há muito alargado e hoje hoje já se investigam e escrevem estudos de Arqueologia Industrial que revelam vestígios, alguns com menos de cinquenta anos.

No solo da Zona Histórica de Pombal e envolvente do Castelo, incluindo o espaço do cemitério e a baixa dos Chãos e do Casarelo, é expectável a existência de vestígios de civilizações e culturas pretéritas, tais como: castreja pré-romana, romana, bárbara – suevos, alanos, vândalos, visigodos, - vestígios da grande cultura mourisca, seguindo-se os da reconquista cristã e todas as formas de vida da sociedade portuguesa nos vários séculos – XII, XIII, XIV, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX e XX.

Do século XXI também nós deixaremos vestígios e espero ardentemente que não sejam os das destruições que temos vindo, quase sistematicamente, a provocar.

Não há uma Carta Arqueológica do Concelho de Pombal e não pode ser feita por um único arqueólogo ou historiador. Necessita, a sua execução, uma verdadeira equipa multidisciplinar em trabalho de campanha profícuo e continuado.

De todo o período histórico de Pombal é mais o que não sabemos do que aquilo que conhecemos.

Queremos continuar à deriva, sem sabermos que futuro gerar com o nosso presente por desconhecimento do que fomos no passado?

Será que queremos um Pombal filho de pais e mães incógnitos?



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domingo, agosto 23, 2009

Foi ontem


O Correio de Pombal do Pimpão dos Santos caminhava já rapidamente para o ocaso, mas os seus editoriais estavam vivos, mesmo quando falavam de mortos. Vejamos o Editorial desta edição:


«Editorial

Tivemos o privilégio de a conhecer há umas boas dezenas de anos. Então como anteontem, no seu último editorial em o Diabo, Vera Lagoa aliás, Maria Armanda Falcão, olhava a vida e as pessoas, olhos nos olhos, e não calava o que lhe ia na alma, no coração e ou no pensamento.

Cidadã do mundo que cedo extravasou dos limites da Ilha – onde nasceu na então África Oriental Portuguesa - para ser a consciência cívica duma nação.

Militante na primeira linha na luta contra o abastardamento da Pátria, Vera Lagoa foi ela própria: Lutadora e dinamizadora.

Era daquelas profissionais de quem nunca se perde o rasto.

Sem nunca abrir mão da sua razão, jamais cedeu a quem quer que fosse.

Por isso, ao relermos o seu último editorial não podemos deixar de pensar que, se tal lhe fosse humanamente possível, escreveria a mesma peça em relação a todos quantos, desde o fim da tarde da passada segunda –feira, lhe elogiam predicados que em vida nunca lhe reconheceram.

Pois é. Aconteceu ao Spínola e, agora, à Vera Lagoa.

Vera Lagoa poderá não ficar na história mas, jamais sairá da memória do colectivo que somos.

Morreu uma “mulher de armas”.

Paz à sua alma.

Até um dia

Pimpão dos Santos»

Eu também admirava a Vera Lagoa e, tal como ela, achava, e acho, que a "Descolonização Exemplar" não foi descolonização nenhuma, foi uma "Vergonhosa Debandada".

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